Educação no Brasil: Avançamos no acesso, mas ainda precisamos conectar escola e futuro

Postado em:
28/4/26

por Júlia Borges, Diretora Geral do Instituto Sol

No dia 28 de abril, quando celebramos o Dia Mundial da Educação, vale o questionamento: o quanto estamos conseguindo preparar nossos jovens, dentro da sala de aula, para a realidade que os espera no mercado de trabalho?

O Brasil avançou de forma importante nas últimas décadas. Universalizamos o acesso ao ensino fundamental, ampliamos a presença de crianças na educação infantil e elevamos a escolaridade média da população. Hoje, mais jovens chegam ao ensino médio do que em qualquer outro momento da nossa história. Isso não é pouco, é resultado de políticas públicas, mobilização social e do entendimento coletivo de que educação é base para qualquer projeto de país.

Mas acesso, sozinho, não basta. Ainda temos grandes desafios de aprendizagem, e há um desencontro evidente entre formação educacional e demandas do mundo do trabalho. Esse descompasso começa cedo: muitos jovens chegam ao ensino médio sem clareza sobre os caminhos possíveis e sem acesso a informações que orientem suas escolhas.

Diante desse cenário, o novo Plano Nacional de Educação, que funciona como uma bússola para orientar o que desejamos alcançar na educação brasileira ao longo dos próximos anos, coloca esse tema no centro da agenda: prevê que metade dos estudantes do ensino médio esteja matriculada em cursos técnicos. Esse objetivo é ousado, especialmente considerando o tamanho da rede pública, porém é uma estratégia para aproximar cada vez mais a educação do mercado de trabalho, trazendo para dentro da escola a realidade e as necessidades mais urgentes dos jovens.

Quando ofertada com qualidade, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) amplia horizontes, reduz a evasão escolar, fortalece a autoestima dos estudantes e cria pontes reais para a empregabilidade. Ampliar as matrículas nessa modalidade é essencial não só para dar mais significado à trajetória escolar do jovem, mas também para garantir profissionais mais qualificados em áreas estratégicas. Os ganhos vão além do individual: um estudo do Itaú Educação e Trabalho (2023) aponta que, se triplicarmos o acesso ao ensino técnico, o PIB brasileiro poderia crescer até 2,32%. 

Mas, para muitos estudantes, a escolha do ensino médio acontece com pouca informação sobre os caminhos disponíveis. Uma pesquisa do SENAI (2024) mostra que 52% dos jovens de 14 a 17 anos conhecem pouco ou nada sobre essa possibilidade. Antes de ampliar o acesso, portanto, existe um desafio mais básico: tornar essas opções visíveis e compreensíveis. Por isso, apoiar o jovem na reflexão sobre esse próximo passo o quanto antes é essencial. Não se trata apenas de informar sobre as opções existentes, mas de criar condições para que ele chegue a essa escolha com autoconhecimento, clareza e segurança. 

É nessa lógica que iniciativas como as do Instituto Sol, que busca orientar jovens ainda no 9º ano sobre as oportunidades de ensino médio e como se conectam com o mercado, se inserem. Na prática, vemos que, quando o jovem tem acesso a uma orientação qualificada, repertório e apoio contínuo, suas escolhas se tornam mais conscientes e suas trajetórias ganham consistência. 

No entanto, sabemos que esse é um desafio coletivo. Ele passa pelo poder público, com continuidade de políticas públicas, metas acompanhadas por indicadores transparentes e decisões baseadas em evidências, mas também pela atuação coordenada de organizações da sociedade civil e do setor privado. Juntos, há muito a construir: inovar na orientação do jovem, fortalecer sua formação e ampliar as pontes para o mercado de trabalho. 

O Brasil tem uma janela de oportunidade real. Um plano nacional ambicioso que reconhece a importância da educação profissional e uma geração de jovens que, se bem orientada, pode transformar não só a própria trajetória, mas a economia e o país. Para aproveitar essa janela, porém, precisamos ir além das diretrizes: bons indicadores, planos estaduais e municipais robustos e, sobretudo, o compromisso de todos: poder público, terceiro setor e setor privado, com a mesma direção. 

Neste Dia Mundial da Educação, a reflexão que fica é que, ainda que tenhamos avançado muito em garantir o acesso dos estudantes à escola, precisamos avançar agora em conectá-la com o próximo passo dos jovens – que, para muitos, será o mercado de trabalho – com conhecimento das possibilidades, preparo adequado e perspectiva de futuro. 

.

Artigos relacionados

Vale a pena fazer Ensino Técnico? Veja os benefícios para o seu futuro

A escolha do Ensino Médio pode impactar diretamente suas oportunidades no futuro — tanto para o mercado de trabalho quanto para o acesso à universidade.Neste post, você vai entender, com dados e exemplos, quais são os benefícios do Ensino Técnico.

Ler artigo completo →

Como conseguir bolsa de estudos para o Ensino Médio em 2027?

Muitos estudantes da rede pública sonham em estudar em uma escola de excelência, mas se perguntam:É possível conseguir bolsa de estudos para o Ensino Médio?A resposta é sim — e neste post você vai entender como.‍

Ler artigo completo →

Quando é a prova da ETEC 2026? Veja datas, edital e como se preparar

Neste post, reunimos as principais informações sobre datas, edital e como se preparar da melhor forma para o vestibulinho.

Ler artigo completo →